sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Associação de Servidores do Ibama divulgam nota de repúdio ao senador Zequinha Marinho

A Associação dos Servidores do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente no Pará (Asibama/PA) divulgou nota de repúdio ao vídeo que desde a quarta-feira, 22, circula em redes sociais, em que o senador paraense Zequinha Marinho (PSC), acusa os servidores do Ibama, de serem “bandidos e malandros”, mesmo tendo reconhecido que o trabalho do instituto é amparado pela legislação.
Marinho, que já foi vice-governador do Pará na última gestão Simão Jatene (PSDB), gravou vídeo ao lado de produtores rurais, onde afirma que busca um jeito de acabar com o combate ao desmatamento. “Estamos tentando achar uma forma de legalmente embargar essa operação do Ibama. Lamentavelmente, ainda não conseguimos um avanço porque de uma certa forma, o Ibama está amparado”. O senador se referiu à operação realizada semana passada na região conhecida como Vila Mocotó, em Senador José Porfírio, onde os agentes encontraram dois postos de vendas de combustíveis clandestinos e apreenderam mais de 5 mil litros de gasolina e óleo diesel, que o Ibama garante, seriam usados para abastecer máquinas usadas para desmatamento na área.
“Os servidores do Ibama, aqui representados pela Asibama/PA, vêm contrapor tal atitude e apresentar fatos concretos à sociedade”, afirma a nota.
Segundo o comunicado, a terra indígena Ituna/Itatá (municípios de Senador José Porfirio e Altamira), onde é realizada a operação que o senador acusa de cometer ilegalidade, vivem índios isolados e tem restrição legal de uso (Portaria Funai nº 50/2016 e Portaria Funai nº 17/2019). Foi alvo de 13% de todo o desmatamento da Amazônia no último período Prodes (agosto de 2018 até julho de 2019) e já tem, em janeiro de 2020, mais de 1 mil hectares de desmatamento ilegal embargados pela equipe que o senador acusa de “bandidos e malandros”. A TI Ituna-Itatá já perdeu 23% de suas terras para o desmatamento”, afirmam os agentes do Ibama.
A nota prossegue, afirmando que vídeo divulgado pelo senador é a continuação “de um discurso fácil, que tenta criminalizar os servidores dos órgãos ambientais federais, cumpridores de suas funções, por combater crimes ambientais que afetam toda a sociedade, e nesse combate incomodam grileiros, produtores ilegais de madeira e gado e outros criminosos ambientais”, ressalta.
Os servidores alertam na nota, que esse tipo de atitude do senador “aumenta exponencialmente o risco de vida que os servidores já encaram todos os dias, para preservar o patrimônio de todos os brasileiros”, acentuam.
A nota conclui, que “a imunidade parlamentar não se presta para caluniar e difamar servidores públicos que cumprem seu dever com a sociedade” e afirma que a associação “tomará as medidas legais para obter a reparação dos fatos”, assegura.
Senador Zequinha Marinho afirma que presidente do Ibama vai apurar as denúncias contra os agentes do órgão
Através de sua assessoria de comunicação, o senador Zequinha Marinho informou que esteve em Brasília para defender as famílias de trabalhadores rurais que tiveram suas casas destruídas por alguns agentes do Ibama durante a Operação Ituna Itatá, iniciada no último dia 15 de janeiro, no município de Senador José Porfírio.
“O sentimento que move o senador é de indignação por parte de alguns agentes que exorbitam do seu poder e atentam contra os direitos humanos. O senador respeita e entende a importância do órgão ambiental, mas não tolera excessos contra pessoas que lutam diariamente para manter sua dignidade e que acabam sendo vítimas do Estado”, prossegue.
Ele afirma, que as famílias que tiveram suas casas incendiadas por parte dos agentes estão totalmente desamparadas, foram humilhadas pela ação abusiva de parte dos agentes ambientais e deixadas ao relento, sem nenhuma assistência”.
Também informa, que que se reuniu com o presidente do Ibama, Eduardo Bim e mostrou vídeos e fotos do que denominou de abusos ocorridos na vila de Senador José Porfírio pelos agentes do Ibama.
Segundo a nota, o presidente do Ibama ficou chocado e disse que não concorda “com o que foi cometido na região”. E completa, que o presidente do Ibama vai apurar o caso e tomará providências para conter os exageros e manter a segurança das pessoas que residem na região onde é realizada a Operação do Ibama.
Fonte: Portal Roma News

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